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Blogdopa | Repercussão do crime contra cão Orelha evidencia alta nas denúncias de maus-tratos

Caso do cão Orelha expõe crescimento das denúncias de maus-tratos no Distrito Federal

O caso do cão comunitário Orelha, vítima de maus-tratos na madrugada entre 3 e 4 de janeiro de 2026, em Florianópolis, ganhou repercussão nacional e reacendeu o alerta sobre a realidade do Distrito Federal. Dados da Ouvidoria do Governo do Distrito Federal (GDF) indicam aumento consistente nas denúncias envolvendo crueldade contra animais.

Em 2025, foram registradas 912 reclamações por maus-tratos a animais — domésticos ou não —, uma média mensal de 76 ocorrências. O total representa crescimento de 4,11% em relação a 2024, quando houve 876 registros. Já em 2026, até a última sexta-feira (20/2), a ouvidoria contabilizou 137 denúncias, o equivalente a cerca de três casos por dia no DF.

Crueldade recorrente

Casos recentes reforçam que a prática persiste na capital do país. Em setembro do ano passado, a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou uma operação que resgatou duas gatas em condições de abandono em um apartamento em Águas Claras. Dois meses depois, um homem de 24 anos foi indiciado por abandonar sete filhotes de cachorro em via pública, no Guará II.

Em janeiro de 2026, a PCDF passou a investigar o abandono de 20 gatos em um imóvel onde funcionava uma costelaria na Asa Sul. No fim do mês, um homem de 40 anos foi preso em flagrante após confessar a morte de um cachorro, em Arniqueira. Em fevereiro, a Delegacia de Repressão aos Crimes Contra os Animais (DRCA/PCDF) realizou operação após denúncias de maus-tratos a cães e encontrou, no local, um idoso em situação de abandono. Dias depois, outro caso envolveu a tentativa de impedir a alimentação de gatos comunitários no Guará.

População mais atenta

Delegado-chefe da DRCA, Jônatas Silva afirma que o DF tem registrado ocorrências com “elevado grau de crueldade”, como abandono deliberado sem acesso a água e alimento e mortes provocadas por disparos. Segundo ele, o crescimento das denúncias decorre do aumento da conscientização social. “A população está mais informada e entende que maus-tratos constituem crime”, disse.

Atualmente, a DRCA conduz cerca de 300 inquéritos relacionados a cães e gatos e mais de 100 termos circunstanciados envolvendo outras espécies. A taxa de elucidação, segundo o delegado, gira em torno de 97%. Ele ressalta, contudo, que o medo de retaliação ainda impede muitas denúncias formais. As comunicações podem ser feitas de forma segura pelo telefone 197, com preservação da identidade quando cabível.

A legislação prevê pena de reclusão de dois a cinco anos para maus-tratos a cães e gatos, além de multa e proibição da guarda. Cada animal é considerado um crime distinto, o que pode elevar significativamente a pena total.

Espaço para avanços

Para a diretora jurídica do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, Ana Paula de Vasconcelos, os crimes sempre existiram, mas eram subnotificados. Ela avalia que a maior visibilidade e a atuação policial mais efetiva encorajam a população a denunciar, embora ainda faltem políticas públicas permanentes de prevenção, educação e controle populacional.

Apoio aos resgates

Recentemente, a Secretaria de Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (Seagri-DF) doou cerca de três toneladas de carne ao Abrigo Flora e Fauna, no Gama. Os alimentos, apreendidos por irregularidades documentais e considerados próprios para consumo animal após avaliação técnica, foram destinados a cães e gatos resgatados, muitos deles vítimas de abandono e maus-tratos.

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