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Blogdopa | Quatro vagas em jogo: veja a estimativa de votos para Republicanos e MDB na CLDF

Eleição proporcional no DF em 2026 expõe desafio eleitoral de MDB, Republicanos e Avante

Antes de qualquer leitura precipitada, é preciso fazer um aviso essencial ao leitor: o que está apresentado a seguir é uma simulação eleitoral, construída a partir de cenários debatidos nos bastidores da política do Distrito Federal.

O exercício considera apenas os filiados que tiveram maior votação em 2022, sem incluir a nominata completa de nenhum partido. O objetivo não é prever resultados, mas dimensionar o grau de dificuldade que MDB, Republicanos e Avante podem enfrentar caso o quociente eleitoral para deputado distrital chegue ao patamar de 71 mil votos, número que vem ganhando força nas análises internas de partidos e estrategistas.

A base da conta: quociente em 71 mil votos

Se confirmado esse quociente, a matemática da eleição proporcional fica clara:

  • Cada vaga direta exigiria 71 mil votos
  • Para eleger quatro distritais, a legenda precisaria somar 284 mil votos
  • Individualmente, cada candidato teria de alcançar no mínimo 7,1 mil votos (10% do quociente) para poder concorrer às vagas

A partir desse ponto, entra um fator decisivo e frequentemente negligenciado: a regra das sobras eleitorais.

Sobras eleitorais: o filtro que elimina nominatas frágeis

Para disputar as vagas remanescentes, o partido ou federação precisa cumprir dois critérios simultâneos:

  • Atingir ao menos 80% do quociente eleitoral, o que representa 56,8 mil votos
  • Ter candidatos com mínimo de 20% do quociente, ou seja, 14,2 mil votos individuais

Sem essas duas condições, não há espaço para ocupar cadeira, ainda que a legenda tenha votação razoável. É nesse ponto que muitas estratégias naufragam.

Republicanos: base relevante, mas distante de quatro vagas

Na simulação do Republicanos, entram apenas os filiados mais votados em 2022:

  • Martins Machado – 31.993 votos
  • Rodrigo Delmasso – 23.243
  • Jane Klebia – 19.006
  • Bispo Renato – 13.976
  • Fernando Fernandes – 12.383
  • Renata Daguiar – 11.473

A soma chega a 112.074 votos, o que representa 1,57 quociente eleitoral.

Na prática, o partido garantiria uma vaga direta, entraria com tranquilidade na disputa das sobras, mas dependeria de média e de candidatos acima dos 14,2 mil votos para tentar avançar.

Dentro desse recorte, apenas Martins Machado, Rodrigo Delmasso e Jane Klebia cumpririam integralmente os requisitos legais para disputar uma eventual segunda cadeira, caso a distribuição de votos se mantivesse na mesma proporção observada em 2022.

Para chegar a quatro distritais, o salto necessário é expressivo: mais 171.926 votos, o que significa mais que dobrar a base simulada.

MDB: cenário semelhante e desafio do mesmo tamanho

O MDB apresenta números muito próximos ao do Republicanos quando observados apenas os nomes mais votados:

  • Jaqueline Silva – 26.452 votos
  • Iolando – 20.757
  • Hermeto – 20.332
  • Wellington Luiz – 16.993
  • Cristiano Araújo – 15.897
  • Telma Rufino – 9.093

O total alcança 109.524 votos, equivalente a 1,54 quociente.

Assim como o Republicanos, o MDB faria uma vaga direta, entraria no jogo das sobras e dependeria da média para ampliar sua bancada. Estariam habilitados pelas regras dos 20%: Jaqueline, Iolando, Hermeto, Wellington Luiz e Cristiano Araújo.

Para chegar ao patamar de quatro cadeiras, o MDB precisaria adicionar 174.476 votos à base simulada — novamente, um esforço que exige expansão robusta da nominata.

Avante: fora do jogo sem reforço de time

No Avante, o cenário é ainda mais sensível. O principal nome do partido, Daniel Radar, teve 11.739 votos na última eleição. Mantida exatamente essa votação em 2026:

  • O partido não alcança os 80% do quociente
  • O candidato não atinge os 20% individuais exigidos

Nesse contexto isolado, o Avante não entra na disputa por sobras.

Para se tornar competitivo, a legenda precisaria:

  • Somar ao menos 56,8 mil votos no total
  • Elevar Daniel Radar para 14,2 mil votos ou mais

Na prática, isso exige uma nominata capaz de alcançar algo entre 50 e 60 mil votos, com distribuição mínima entre seus principais nomes.

A leitura política por trás dos números

A matemática eleitoral deixa uma mensagem clara: ninguém vence eleição proporcional sozinho. MDB, Republicanos e partidos médios como o Avante terão de investir pesado na montagem de nominatas amplas, equilibradas e com candidatos médios competitivos.

Na lógica do sistema proporcional, os grandes nomes dependem dos menores. São eles que empurram a legenda até o quociente, sustentam as médias nas sobras e viabilizam cadeiras adicionais. Sem esse conjunto, nem o candidato mais forte transforma voto em mandato.

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