Morre aos 57 anos Constantino Júnior, fundador da Gol e um dos responsáveis por transformar a aviação brasileira
O empresário Constantino Júnior morreu neste sábado (data), aos 57 anos, em São Paulo, após enfrentar por alguns anos um câncer. Cofundador e ex-CEO da Gol Linhas Aéreas Inteligentes, ele ocupava desde julho de 2012 a presidência do Conselho de Administração da companhia. Também era presidente executivo do Grupo Abra, holding que controla a Gol e a Avianca, além de integrar o conselho da empresa colombiana.
Filho do empresário Nenê Constantino, Constantino Júnior teve papel central na transformação do setor aéreo brasileiro ao liderar a implementação do modelo de baixo custo no país, ampliando o acesso da população ao transporte aéreo.
Apaixonado por mecânica, esportes e velocidade, dividia sua vida entre duas grandes paixões: a aviação e o automobilismo. Formado em Administração de Empresas pela Universidade do Distrito Federal, participou ainda do Programa Executivo de Gestão Corporativa da Association for Overseas Technical Scholarships. Aprendeu a pilotar aviões aos 15 anos e, em 2001, fundou a Gol Linhas Aéreas Inteligentes ao lado dos irmãos Joaquim, Ricardo e Henrique.
Primeiro CEO da companhia, Constantino imprimiu um estilo de gestão ousado e marcante. Em apenas três anos de operação, a Gol abriu capital simultaneamente na Bolsa de Valores de São Paulo (B3) e na Bolsa de Nova York (NYSE), em junho de 2004. Sob sua liderança, a empresa expandiu suas operações por meio de aquisições estratégicas, como Varig e Webjet.
À frente da Gol, Constantino conduziu um processo de redução do preço das passagens aéreas no Brasil, permitindo que milhões de brasileiros viajassem de avião pela primeira vez nas últimas duas décadas. Também enfrentou momentos difíceis, como o acidente do voo Gol 1907, em 2006, que vitimou 154 pessoas após a colisão entre um Boeing 737-800 da companhia e um jato executivo sobre o Mato Grosso.
Nos últimos anos, a Gol passou por um processo de recuperação judicial para reestruturar seu endividamento, agravado pelos impactos da pandemia de 2020. Houve ainda negociações para uma possível fusão com a Azul, encerradas em setembro do ano passado.
Um dos marcos de sua trajetória ocorreu em 2007, quando liderou a compra da Varig. Em 2012, com a aquisição da Webjet, a Gol assumiu a liderança em importantes rotas do país. Em dezembro de 2013, a companhia chegou a deter 37,3% do mercado doméstico de aviação civil, segundo a Anac. Atualmente, mantém cerca de 32% de participação, atrás da Latam e à frente da Azul.
A empresa também firmou alianças internacionais, com acordos de codeshare com companhias como Delta Air Lines, Air France, KLM, TAP, Qatar Airways, Iberia e Copa Airlines.
Fora da aviação, Constantino Júnior teve atuação destacada no automobilismo. Competiu na Porsche GT3 Cup Challenge Brasil, sendo vice-campeão em 2008 e campeão em 2011. Ao longo da carreira, recebeu diversos prêmios nacionais e internacionais por inovação, liderança e empreendedorismo.
Em nota, a Gol lamentou profundamente a morte de seu fundador, destacando sua “liderança, visão estratégica e humanidade”, que marcaram a cultura da companhia. O Grupo Abra também ressaltou o legado do empresário na democratização do transporte aéreo na América Latina.
Autoridades e concorrentes manifestaram pesar. O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, destacou a importância de Constantino para o fortalecimento da aviação brasileira. Azul, Latam e a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) reconheceram sua contribuição decisiva para a modernização e ampliação do setor no país.