Livrar o empresário Daniel Vorcaro de uma eventual prisão e, sobretudo, afastar a possibilidade de delação premiada é visto por interlocutores como um dos grandes interesses de setores políticos atingidos direta ou indiretamente pelas investigações que envolvem o Banco Master. Esse cenário ajuda a explicar a estratégia adotada pela defesa diante das acusações formuladas pelo Banco Central.
Segundo fontes que acompanham o caso, a linha central dos advogados deve ser a de contestar a existência de fraude, sustentando que as irregularidades apontadas pelo órgão regulador não configurariam crime doloso. A tese seria a de que, no máximo, houve gestão temerária, conduta considerada menos grave do ponto de vista penal e que, em regra, não resulta em prisão preventiva nem cria incentivos para acordos de colaboração.
A diferença entre fraude e gestão temerária é crucial. Enquanto a fraude pressupõe intenção clara de enganar o sistema financeiro, investidores ou o regulador, a gestão temerária se refere a decisões arriscadas ou imprudentes, sem a comprovação de dolo. Essa reclassificação jurídica pode reduzir significativamente o impacto criminal do caso.
Nos bastidores, avalia-se que a eventual prisão de Vorcaro poderia abrir caminho para uma delação com efeitos políticos amplos, atingindo agentes públicos e privados. Por isso, o desfecho jurídico do processo é acompanhado com atenção não apenas pelo mercado financeiro, mas também por lideranças políticas que temem desdobramentos mais profundos.
A estratégia da defesa, no entanto, não está imune a questionamentos. Técnicos e especialistas em regulação financeira apontam que o conjunto de indícios levantados pelo Banco Central pode dificultar o enquadramento do caso apenas como má gestão, especialmente se forem comprovadas manobras para ocultar informações ou burlar regras do sistema financeiro.


