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Blogdopa | Com Fachin-Moraes no STF e Nunes-Mendonça no TSE, Cortes terão perfis distintos em 2026

Com duplas Fachin-Moraes e Nunes-Mendonça, STF e TSE terão perfis distintos em presidências no ano eleitoral

As duas principais cortes responsáveis por analisar e julgar questões eleitorais no Brasil vão chegar ao pleito de 2026 com lideranças de perfis bastante diferentes, o que pode influenciar a dinâmica institucional ao longo do ano. 

STF: atuação marcada por intervenção e reação institucional

No Supremo Tribunal Federal (STF), a presidência ficará a cargo do ministro Edson Fachin, com Alexandre de Moraes na vice-presidência, mantendo a mesma dupla que ganhou destaque nos últimos anos. Fachin e Moraes estiveram no centro da reação institucional aos ataques golpistas de 2022 e da condução de preparativos e respostas ao processo eleitoral naquele ano, em ações que envolveram combate à desinformação e defesa do sistema eleitoral. 

Ambos têm histórico de decisões e posturas vistas por observadores e especialistas como mais intervencionistas, especialmente em temas sensíveis ao processo democrático, o que inclui a atuação firme frente a ameaças às urnas eletrônicas e às instituições. 

TSE: comando mais contido e de perfil discreto

Por outro lado, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a presidência das eleições de 2026 ficará com Nunes Marques, com André Mendonça como vice, ambos indicados ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e que, até aqui, têm carreiras com posturas consideradas menos intervencionistas em julgamentos eleitorais. 

Nunes Marques já sinalizou em julgamentos recentes que o TSE não deve atuar como um “terceiro turno” das eleições, postura que o coloca em oposição ao estilo mais ativo observado na gestão de Moraes no tribunal nos pleitos anteriores. Mendonça também tem declarado a intenção de adotar uma condução mais discreta e fundamentada, com menor protagonismo institucional. 

Essa diferença de abordagem entre os comandos do STF e do TSE — um mais articulado e com histórico de forte intervenção em temas públicos e institucionais, e outro com tendências à contenção e cautela — pode se refletir em tensões ou debates mais acirrados ao longo do processo eleitoral, especialmente em pautas sensíveis como desinformação, propaganda irregular, e pedidos de cassação de candidaturas. 

Implicações para 2026

Em ano de eleição presidencial, quando a Justiça Eleitoral terá papel central na organização dos pleitos e julgamento de conflitos, as lideranças das duas cortes estarão sob escrutínio de partidos, advogados e sociedade. A expectativa é de que a dupla à frente do STF atue de maneira mais proativa em defesa das instituições e da ordem constitucional, enquanto o comando do TSE — com ministros de perfil mais contido e alinhados historicamente às posições de Bolsonaro — privilegie uma atuação mais técnica e menos intervencionista na condução das eleições.  

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