Lideranças de partidos de esquerda e integrantes de movimentos sociais do Distrito Federal realizaram, na tarde deste sábado (3/1), um ato em frente à Embaixada da Venezuela, no Setor de Embaixadas Sul, em Brasília. A manifestação foi organizada em protesto ao que os participantes classificam como uma ofensiva militar dos Estados Unidos contra o país sul-americano.

Com o uso de microfones e caixas de som, o grupo se concentrou em frente ao busto de Simón Bolívar, onde exibiu faixas e cartazes com frases como “EUA terroristas, solidariedade à Venezuela”, “Trump, tire suas patas da Venezuela” e “Marchamos contra as guerras e o capitalismo. Defendemos a soberania dos povos e o bem viver”.

Participaram do ato representantes de partidos como PT, PSTU, PCO, PCdoB e PCBR, além de entidades estudantis e juvenis, entre elas a União da Juventude Socialista (UJS), a União da Juventude Comunista (UJC) e o Diretório Central dos Estudantes da Universidade de Brasília (DCE da UnB).

A manifestação foi convocada após a divulgação de informações, nas redes sociais e em comunicados de organizações políticas, sobre uma suposta ofensiva militar de grande escala realizada pelos Estados Unidos na madrugada deste sábado contra a Venezuela. Segundo os organizadores do protesto, a ação teria resultado na captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e de sua esposa, que estariam sob custódia das autoridades norte-americanas e seriam levados à Justiça em Nova York, sob acusações de narcoterrorismo.

Um dos organizadores do ato, Pedro César Batista, do Comitê Antipedalista General Abreu Lima, afirmou que a mobilização foi motivada pela defesa da soberania dos países latino-americanos.
“Diante do ato terrorista e criminoso do governo Trump contra a Venezuela, que deixou mortos e feridos e sequestrou o presidente Maduro e sua esposa, nos sentimos na obrigação de organizar uma atividade de solidariedade à Venezuela e em defesa da soberania e da autodeterminação dos povos. É inaceitável o que aconteceu. Hoje foi a Venezuela, amanhã poderá ser o Brasil”, declarou.
A presidente da União Brasileira de Mulheres, Maria das Neves, também discursou durante o ato e destacou que conflitos armados afetam de forma mais intensa grupos vulneráveis da população.

“Em momento de guerra, são as mulheres, as crianças e os idosos as maiores vítimas. O sequestro do presidente da Venezuela é um ataque a toda a América Latina, à soberania dos povos e à autodeterminação das nações”, afirmou.

Segundo ela, a entidade exige a libertação imediata de Nicolás Maduro e de sua esposa. “Os Estados Unidos não são donos do mundo. Nós clamamos pela paz na América Latina, pela vida das mulheres e das crianças venezuelanas e por uma América Latina soberana, livre e em paz”, completou.

O prefeito de Nova York, nos Estados Unidos, Zohran Mamdani (à direita na foto em destaque), criticou duramente a ação do presidente norte-americano Donald Trump contra a Venezuela, realizada na madrugada deste sábado (3/1). Em nota divulgada nas redes sociais, Mamdani afirmou que “atacar unilateralmente uma nação soberana é um ato de guerra e uma violação do direito federal e internacional”.

Segundo o prefeito, ele foi informado sobre a custódia do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, em Nova York. Diante do cenário, Mamdani declarou que irá priorizar a segurança dos venezuelanos que vivem na cidade, além da proteção de todos os nova-iorquinos.
“Essa busca flagrante por mudança de regime não afeta apenas aqueles que estão no exterior, mas impacta diretamente os nova-iorquinos, incluindo dezenas de milhares de venezuelanos que consideram esta cidade seu lar. Meu foco é a segurança deles e a segurança de todos os nova-iorquinos, e minha administração continuará monitorando a situação e emitindo orientações pertinentes”, escreveu o prefeito.
EUA x Venezuela
- Os Estados Unidos atacaram, neste sábado (3/1), diversas regiões da Venezuela.
- O presidente Donald Trump afirmou, nas primeiras horas do dia, que o governo norte-americano capturou o presidente venezuelano Nicolás Maduro.
- A Embaixada dos EUA em Bogotá informou estar ciente das explosões em Caracas e recomendou que nenhum cidadão norte-americano viaje à Venezuela “por nenhum motivo”, além de evitar as fronteiras com Colômbia, Brasil e Guiana.
- Desde o início da ofensiva militar norte-americana, justificada pelo combate ao tráfico internacional de drogas, as tensões na região se intensificaram.
- Maduro passou a ser o principal alvo das ameaças de Trump, que o acusa de liderar o chamado Cartel de los Soles, classificado recentemente pelos EUA como organização terrorista internacional.
Opositor de Trump
Zohran Mamdani tomou posse como prefeito de Nova York em 1º de janeiro de 2026. Aos 34 anos, o democrata assumiu o comando da maior cidade dos Estados Unidos após vencer as eleições de novembro, em uma campanha marcada pela forte oposição ao presidente Donald Trump.
Antes de ser eleito, Mamdani atuava como deputado estadual. Declaradamente socialista, ele nasceu em Kampala, capital de Uganda, é filho de mãe indiana e pai ugandês, cresceu na Cidade do Cabo, na África do Sul, e mudou-se para Nova York aos 7 anos de idade. Criado no bairro do Queens, Mamdani tornou-se fluente em seis idiomas.
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