Alerta: câncer colorretal já é o terceiro tumor mais frequente no DF
O câncer colorretal, conhecido popularmente como câncer de intestino, já se tornou o terceiro tipo de tumor mais frequente no Distrito Federal. Os dados são do Instituto Nacional de Câncer (Inca) e fazem parte das ações de conscientização da campanha Março Azul-Marinho.
Esse tipo de câncer costuma se desenvolver de forma silenciosa, o que dificulta o diagnóstico precoce. Em muitos casos, o paciente pode passar anos sem apresentar sintomas evidentes.
De acordo com a médica proctologista Ana Rosa Melo, do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), o tumor costuma evoluir lentamente. “O câncer colorretal geralmente cresce de forma gradual. Quando surgem sintomas como sangramento nas fezes, alteração do hábito intestinal, perda de peso ou anemia, muitas vezes a doença já está em estágio mais avançado”, explica.
Entre os principais fatores associados ao desenvolvimento da doença estão o consumo frequente de alimentos ultraprocessados, ingestão de álcool, obesidade, sedentarismo e tabagismo.
Durante o mês de março, a campanha Março Azul-Marinho busca alertar a população sobre a importância da prevenção e da detecção precoce do câncer colorretal. No Distrito Federal, a incidência é de 19,42 casos a cada 100 mil habitantes, o que coloca a unidade da federação na sexta posição no ranking nacional.
O Hospital de Base é referência em atendimento oncológico na rede pública do DF. A unidade realiza cerca de mil atendimentos por ano relacionados ao tratamento da doença.
Onde procurar atendimento
Em caso de sintomas suspeitos, a orientação é procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS). Na Atenção Primária, o paciente passa por avaliação médica, podendo realizar exames iniciais e, se necessário, receber encaminhamento para acompanhamento especializado.
O acesso aos serviços de maior complexidade ocorre por meio da regulação da rede pública de saúde. Após a avaliação inicial, o paciente pode ser encaminhado para unidades de referência, como o Hospital de Base, conforme a necessidade clínica identificada pela equipe de saúde.
A adoção de hábitos saudáveis e o acompanhamento médico são fundamentais para reduzir os riscos da doença. A recomendação é iniciar os exames de prevenção a partir dos 45 anos, com frequência definida pelo médico de acordo com o histórico e os fatores de risco de cada paciente.
Relato de paciente
Em tratamento na rede pública de saúde do Distrito Federal, o paciente Carlos Roberto de Oliveira, conhecido como Robertinho, afirma que enfrentar o câncer não tem sido uma tarefa fácil. Segundo ele, a doença costuma ser silenciosa e, muitas vezes, só é descoberta após exames mais detalhados.
Robertinho relata que, após receber o diagnóstico, precisou fazer diversas mudanças na rotina e no estilo de vida. A alimentação, os hábitos diários e até a forma de encarar os desafios passaram por transformações durante o tratamento.
“Não é fácil descobrir uma doença silenciosa que exige uma nova forma de viver. A alimentação muda, a rotina muda, praticamente tudo muda quando somos surpreendidos com a doença. Sei que o que mata não é a doença quando descobrimos a tempo, mas sim a mente sem concentração. Procuro encarar como se nada fosse impossível”, relata o paciente.
O paciente afirma que o apoio da família e dos amigos tem sido um dos pilares mais importantes nesse momento delicado. Para Robertinho, as mensagens de incentivo, a presença constante de pessoas próximas e a fé têm contribuído para que ele continue firme no tratamento.

