Blogdopa | Estelionatário usava nome de Ibaneis para dar golpe do falso emprego

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Homem tirava fotos em órgãos do GDF e andava com broches de instituições públicas. Ele cobrava até R$ 3,8 mil por vaga.

Investigado pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), o estelionatário Rafael Luiz Soares, 56 anos, chegou a usar o nome do governador Ibaneis Rocha (MDB-DF) para enganar e causar prejuízo a pelo menos quatro mulheres do Distrito Federal. As vítimas têm entre 40 e 60 anos. O suspeito dizia que trabalhava no Governo do Distrito Federal (GDF) e que poderia conseguir um emprego público mediante pagamento.

A coluna apurou que em março deste ano, uma mulher de 52 anos procurou a polícia para denunciar o golpe. Ela afirmou que conheceu Rafael em dezembro de 2020 na casa de umas amigas, no Gama. No início de 2021, Rafael perguntou se ela teria interesse em trabalhar de costureira. A mulher demonstrou interesse e, o homem passou a contata-la afirmando que iria conseguir uma vaga pra trabalhar no galpão das costureiras, localizado no Setor de Indústrias e Abastecimento (SIA).

Desde então, Rafael, garantindo a vaga para ela, passou a pedir dinheiro para procedimentos diversos, inclusive uma falsa propina que iria para o governador. Em agosto, o estelionatário a procurou, afirmando que “a casa caiu”. Disse que tinham caído em golpe e a quadrilha havia sido presa. Recusou-se a devolver o dinheiro, os R$ 3,8 mil e, ainda, disse que se fosse denunciado nada aconteceria com ele, “no máximo seria condenado a pagar cestas básicas”.

Operação 

Na manhã desta quarta-feira (22/12), uma equipe da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), do Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Decor), cumpriu mandado de busca e apreensão na residência de Rafael Luiz. A ação recebeu o nome de operação Falso Emprego.

Segundo os investigadores, alguns dias após oferecer emprego, Rafael passava a solicitar valores das mulheres alegando que precisava pagar algumas taxas, filiação partidária e até propina para outros servidores para que a nomeação das vítimas fosse efetivada o mais rápido possível.

Pelo fato de o suspeito já ter trabalhado no GDF, de setembro de 2019 a janeiro de 2021, e andar sempre de terno e com um broche do GDF, as vítimas se convenciam que ele poderia realmente conseguir um trabalho para elas e acabavam cedendo às solicitações de pagamento.

O estelionatário também enviava fotos dele na sede do governo, o que tornava ainda mais crível a possibilidade do emprego. Porém, após obter valores, entre R$ 800 e R$ 3,8 mil de cada vítima, a nomeação para o emprego nunca acontecia.

Até o momento, a polícia não encontrou indícios da participação de outras pessoas no esquema. O celular do suspeito foi apreendido durante as buscas realizadas nesta quarta-feira. Ele será indiciado por crimes de estelionato e pode pegar pena de até cinco anos de reclusão.

A Justiça também decretou que o suspeito seja monitorado com tornozeleira eletrônica. Rafael terá de se limitar ao trajeto de casa para local de trabalho e foi impedido judicialmente de se aproximar das vítimas.

A PCDF divulgou a imagem do autor para averiguar a existência de outras pessoas que possam ter caído no golpe. Neste caso, elas devem comparecer a Delegacia de Repressão ao Crime Organizado para serem ouvidas.

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